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segunda-feira, 16 de julho de 2007

A promoção a parceiro real

O desastre de Badajoz veio alterar por completo o clima, que rodeava o jovem adolescente Sancho, que apenas com 15 anos, continuava a sua educação, junto de sua ama.

A aura que acompanhava o rei seu pai, de grande triunfador, pela primeira vez abalara, as estrutura do Reino, que por certo foi alertada para a "possibilidade da morte" de D.Afonso Henriques e da concretização da sua sucessão.

Muito embora a vigorosa aparência do Rei e a sequência das suas vitórias militares o não lembrasse, o certo é que D.Afonso já tinha 60 anos, um velho na concepção daquela época, dado já em muito ter ultrapassado a esperança média de vida, por certo não muito distante dos 30 anos.

A prisão e a invalidez subsequentes ao desastre militar de Badajoz, trouxeram muita reflexão e algumas alterações (ver blogue D.Afonso Henriques apontamento 47) a que D.Sancho não ficará alheio.

Uma diferença se notaria desde logo (1169), quando o Rei voltou ás lides governativas, após a sua convalescença, o seu filho Sancho começa a aparecer com outro tipo de estatuto na documentação, em parceria com o pai, subscrevendo documentos, bem como personalidades da sua casa, chamados "do rei Sancho".

O simbolismo dessa "promoção" e dessa insistência em realçar a importância do "rei Sancho", não pode abstrair-se da nomeação de Fernando Afonso o primeiro filho ilegítimo do Rei, para o importante cargo de alferes-mor do Reino.

Entenda-se portanto esta nomeação, como uma preocupação da chancelaria real, em afirmar que o lugar de herdeiro não estaria em causa.

Ver-se-á que esses avisos não foram suficientes.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Nascimento e educação

D. Sancho I, nasceu em Coimbra em 11 de Novembro de 1154.

Quando nasceu não fora destinado para assumir a realeza, visto que já existia um primogénito de D.Afonso Henriques, de nome Henrique e que havia nascido em 1147.

Porém a morte deste seu irmão aos 8 anos, veio transformá-lo no sucessor de seu pai,que no imediato veio a resultar na alteração do seu nome de Martinho para Sancho.

Consideraram na altura que o nome Martinho, que lhe havia sido atribuído, por certo por ter nascido no dia daquele Santo, não lhe concedia dignidade régia.

Não porque São Martinho tivesse ressonância dum santo menor, mas também por não haver na Península Ibérica, nenhum rei com este nome, nem o seria no futuro, pelo menos durante os séculos XII e XIII.

Sabe-se pouco sobre a infância de Sancho, que ficou sem mãe aos 3 anos, por morte da rainha Matilde em Dezembro de 1157, quando do parto do seu sexto filho a princesa Sancha.

Presume-se sem grandes certezas, que a sua educação, terá sido entregue a D.Teresa Afonso segunda mulher e viúva de Egas Moniz.

O conceito de educação, era nesta altura muito diferente do de hoje, pois ainda há discussão entre historiadores, sobre a iletracia para uns ou da relativa cultura para outros do rei Sancho.

Estes últimos atribuíam-lhe a criação duma das cantigas de amigo do Cancioneiro da Ajuda, que comprovaria a capacidade cultural do rei.Hoje alguns contestam este possibilidade, determinando que ela não poderia ter sido composta por D.Sancho I, mas sim por Sancho II ou Afonso X "O sábio" de Castela .

Os que advogam a sua incultura, remetem para palavras do papa Inocêncio III, que terá recomendado que se fizessem ler todas as suas cartas presencialmente em voz alta e na íntegra, o que poderia levar a crer que D.Sancho I seria analfabeto.

Será apressada esta conclusão, uma vez que ler as cartas em voz alta era na altura a forma de as publicar,ou seja de as autenticar.

Ver-se-á que, só assumirá a coroa portuguesa com 31 anos, na sequência duma prolongada regência, devida à incapacidade física de seu pai, após o desastre de Badajoz em 1169